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O código não era o meu maior problema quando eu era júnior

4 min de leituraBrian Pontes
Ilustração digital que divide duas fases de um desenvolvedor: à esquerda, um jovem (júnior) focado em seu notebook; à direita, sua versão futura, um experiente profissional (sênior)

O código não era o meu maior problema quando eu era júnior

Quando olho para o início da minha carreira, consigo identificar algumas decisões técnicas das quais não me orgulho, mas também consigo identificar algo que demorou muito mais para perceber: alguns dos comportamentos que eu tinha estavam prejudicando minha carreira mais do que qualquer erro de código.

Na época, muitas das minhas atitudes pareciam justificáveis.

Eu queria entregar bem. Queria ser reconhecido. Queria mostrar que sabia. Queria defender minhas ideias.

O problema é que, em alguns momentos, a forma como eu fazia isso trabalhava contra mim.

Hoje, olhando para trás, existem quatro comportamentos que eu mudaria.

Eu era arrogante e tinha dificuldade para mudar de opinião

Eu tinha bastante confiança nas minhas ideias.

Isso, por si só, não é ruim. O problema era que eu confundia confiança com ter que estar certo.

Quando alguém apresentava uma alternativa ou questionava uma decisão minha, eu nem sempre estava realmente disposto a ouvir. Muitas vezes, minha primeira reação era tentar provar por que a minha ideia era melhor.

Com o tempo, fui percebendo que uma discussão técnica não deveria ser uma disputa para descobrir quem está certo.

Uma nova informação pode simplesmente fazer com que a melhor decisão mude.

Mudar de opinião depois de aprender alguma coisa nova não é perder uma discussão. É evoluir a decisão.

Hoje tento separar muito mais a ideia do ego. Posso defender uma solução com convicção e, ao mesmo tempo, estar disposto a abandoná-la quando alguém apresentar um argumento melhor.

Eu achava que entregar bem era suficiente para ser promovido

Durante um período, eu tinha uma expectativa bastante simples:

"Se eu entregar um bom trabalho, em algum momento a promoção vai acontecer."

Quando ela não acontecia no momento em que eu esperava, eu ficava frustrado.

E o problema não era apenas a frustração. Eu também deixava isso transparecer.

Hoje percebo que eu estava olhando para a situação apenas pela perspectiva da entrega.

Eu pensava:

"Estou entregando bem. Por que ainda não fui promovido?"

Mas talvez a pergunta mais importante fosse:

"O que é esperado de alguém no próximo nível e o que eu estou fazendo para demonstrar isso?"

Entregar bem é importante. Mas crescimento de carreira envolve muito mais do que execução.

Envolve autonomia, comunicação, capacidade de tomar decisões, influência, relacionamento com outras pessoas e, principalmente, entender quais problemas você é capaz de resolver.

Aprendi também que frustração não precisa desaparecer. Ela precisa ser transformada em conversa.

Em vez de esperar que alguém perceba que você está pronto, é muito mais produtivo entender o que falta, alinhar expectativas e trabalhar para chegar lá.

Eu demonstrava incômodo antes de tentar conversar

Esse talvez seja um dos comportamentos que mais mudou com o tempo.

Existiam situações que me incomodavam e minha reação ficava evidente antes mesmo de eu tentar entender ou resolver o problema.

Hoje consigo perceber que muitas daquelas situações provavelmente teriam sido simples de resolver com uma conversa.

Eu confundia demonstrar que estava incomodado com resolver o problema que estava me incomodando.

Existe uma diferença enorme entre dizer:

"Isso não faz sentido."

e perguntar:

"Por que estamos fazendo dessa forma? Existe algum contexto que eu não conheço?"

A primeira reação fecha a conversa.

A segunda abre espaço para entender, argumentar e negociar.

Isso não significa aceitar qualquer situação ou deixar de discordar. Significa aprender que discordar também é uma habilidade de comunicação.

Eu me incomodava quando recebia algo que estava distante do meu conhecimento

Como júnior, eu queria demonstrar competência.

Por isso, quando recebia uma tarefa sobre algo que eu não conhecia, algumas vezes minha primeira reação era pensar:

"Por que estão me passando isso? Eu não sei fazer."

Hoje vejo que existiam duas possibilidades.

Às vezes, realmente era uma atribuição inadequada e eu precisava conversar sobre isso.

Mas, em outras situações, era simplesmente uma oportunidade de aprender alguma coisa nova.

A diferença estava menos na tarefa e mais na forma como eu reagia a ela.

Em vez de demonstrar apenas o incômodo, eu poderia ter dito:

"Não tenho experiência com isso. Posso assumir, mas vou precisar de algum direcionamento inicial."

Isso transforma uma reclamação em uma negociação.

E também demonstra algo importante: você não precisa saber fazer algo para se disponibilizar a aprender.

O que eu demoraria menos para aprender hoje

Nenhum desses comportamentos desapareceu completamente. Acho que esse também é um ponto importante.

Maturidade profissional não significa nunca mais ficar frustrado, nunca mais ser teimoso ou nunca mais se incomodar com alguma situação.

Significa perceber essas reações mais rápido e escolher melhor o que fazer com elas.

No começo da minha carreira, eu acreditava que evoluir significava principalmente aprender mais tecnologia e escrever código melhor.

Hoje vejo que isso é apenas uma parte.

Aprender a ouvir, mudar de opinião, negociar, comunicar expectativas, lidar com frustração e trabalhar com pessoas também faz parte da evolução de um desenvolvedor.

Talvez o código não fosse o meu maior problema quando eu era júnior.

Em muitos momentos, era a forma como eu lidava com as pessoas, com as situações e comigo mesmo.

E algumas das maiores evoluções da minha carreira não vieram de aprender uma nova tecnologia.

Vieram de aprender a me comportar melhor.

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